Margarethe von Trotta é considerada uma das diretoras mais importantes do Novo Cinema Alemão. Nascida em Berlim em 1942, na década de 1960 ela se mudou para Paris onde colaborou em roteiros e co-dirigiu curtas-metragens. Também teve uma carreira bem sucedida como atriz em filmes de Rainer Werner Fassbinder e Volker Schlöndorff (com quem se casou e co-dirigiu A Honra Perdida de uma Mulher, de 1975).
Entre seus maiores sucessos estão os filmes biográficos a respeito de Hannah Arendt e Rosa Luxemburgo. Ela também dirigiu um belo documentário sobre Ingmar Bergman. Conhecida por fazer filmes com forte protagonismo feminino, seu longa A Caminho da Loucura de 1983 não é diferente.

Ruth (Angela Winkler) é uma mulher tímida e bastante reservada. É casada com um pesquisador que a trata de forma bastante condescendente. Numa reunião de amigos e familiares, ela conhece Olga (Hanna Schygulla), professora de literatura que vive com um pianista.
Anos antes do momento da narrativa, o irmão de Ruth cometeu suicídio e todos temem que ela faça o mesmo. Está sempre sendo vigiada por todos, principalmente pelo marido, que chega a infantilizá-la. Ruth não tem amigas, não trabalha e sua única atividade é pintar versões em preto e branco de quadros famosos. Seu marido pede a Olga para que ela se torne amiga de Ruth. A princípio ela parece incerta dessa amizade, mas quanto mais conhece Ruth, mais se aproxima dela.
Com Olga em sua vida, seu marido tem uma forte crise de ciúmes, pois não é mais o ponto central da vida de Ruth. Com essa amizade ela se tornou uma pessoa mais estável, começou a trabalhar e exibir sua arte, se vê mais à vontade em espaços públicos. Para o marido isso é inadmissível, ele acha que um fracasso a levaria a um estado de depressão e faz de tudo para sabotá-la. Olga, por outro lado, a incentiva e propõe desafios à Ruth.
Aqui não quero cair naquele clichê de imaginar que Ruth seria apaixonada por Olga no sentido romântico do relacionamento. A amizade entre mulheres deve ser tão importante quanto o amor afetivo. Claramente Ruth tem grande admiração pela amiga, vê nela uma salvadora. Num mundo em que a rivalidade entre mulheres é sempre incentivada, ver um filme em que os laços são criados de forma muito bonita é um alívio. Muitos filmes tratam de amizades tóxicas, como Almas Gêmeas e Três Mulheres, von Trotta escolheu outro caminho.
A Caminho da Loucura é um dos filmes mais interessantes sobre a amizade entre duas mulheres. O final é um pouco corrido, mas creio que seja proposital, para ajudar no impacto do desfecho inesperado.


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